Marcadores

sábado, 17 de janeiro de 2026

Estudo genético revela a verdadeira origem do povo japonês

 Estudo genético revela a verdadeira origem do povo japonês



Estudo genético recente revela que a origem do povo japonês moderno é formado por três linhagens ancestrais distintas: Jōmon, Yayoi e Kofun.

Durante décadas, acreditou-se que a população japonesa moderna fosse resultado da mistura entre apenas dois grupos ancestrais. No entanto, estudos genéticos recentes revolucionaram essa visão, revelando que o Japão é, na verdade, formado por três grandes linhagens ancestrais distintas, moldadas por ondas sucessivas de migração ao longo de milhares de anos.Essa descoberta não apenas redefine a história genética do Japão, como também ajuda a explicar sua diversidade regional, cultural e até linguística.


A antiga teoria das duas origens

Por muito tempo, a hipótese dominante era a do modelo duplo, segundo o qual os japoneses modernos descendiam da mistura entre:


Os Jōmon, caçadores-coletores que habitavam o arquipélago japonês há mais de 14 mil anos


Os Yayoi, agricultores migrantes vindos do continente asiático por volta de 900 a.C., responsáveis pela introdução do cultivo de arrozEmbora essa teoria explicasse parte da herança genética japonesa, análises de DNA mais avançadas mostraram que ela estava incompleta.


A terceira linhagem ancestral: os Kofun

Pesquisas recentes baseadas em DNA antigo (aDNA) identificaram uma terceira linhagem ancestral, associada ao período Kofun (séculos III a VII d.C.).


Esse grupo teria migrado do leste da Ásia continental durante a formação do Estado japonês primitivo, trazendo:● Estruturas políticas centralizadas

● Novas tecnologias

● Influências culturais e administrativas que moldaram a base do Japão imperial


Essa terceira onda migratória deixou uma marca genética significativa, especialmente na população do Japão central e ocidental.


As três linhagens que formam o Japão moderno

De acordo com os estudos genéticos mais recentes, a população japonesa atual é composta por:


1. Jōmon – os primeiros habitantes do arquipélago

● Caçadores-coletores pré-históricos

● Genética única, distinta do continente asiático

● Contribuição genética maior em Okinawa e no norte do Japão


2. Yayoi – os agricultores migrantes

● Vindos da Península Coreana e do leste da China

● Introduziram o arroz irrigado, a metalurgia e vilas agrícolas

● Base genética predominante na maior parte do Japão


3. Kofun – os construtores do Japão antigo

● Migrantes do período de formação do Estado

● Associados à elite governante e à centralização do poder

● Responsáveis por uma camada genética adicional que diferencia o Japão de outros povos do Leste AsiáticoDiferenças regionais explicadas pelo DNA

A descoberta das três linhagens ajuda a explicar variações genéticas regionais no Japão:


● Okinawa (Ryūkyū) apresenta maior herança Jōmon

● Hokkaido e povos Ainu mantêm traços genéticos antigos

● Honshu, Kansai e Kanto mostram forte influência Yayoi e KofunEssas diferenças refletem como cada região foi impactada de forma desigual pelas ondas migratórias.


O que essa descoberta muda na história japonesa?

A confirmação das três linhagens ancestrais reforça a ideia de que o Japão nunca foi geneticamente homogêneo. Pelo contrário, sua identidade foi construída por encontros sucessivos entre povos, tecnologias e culturas.


Essa nova visão:


● Reescreve a pré-história japonesa

● Aprofunda a compreensão da diversidade cultural do país

● Conecta o Japão de forma mais complexa ao continente asiático


Um Japão moldado por encontros, não por isolamento

Embora o Japão seja frequentemente visto como uma civilização isolada, o DNA conta outra história: o arquipélago sempre esteve conectado ao mundo, recebendo pessoas, ideias e influências ao longo dos milênios.


O estudo genético das três linhagens ancestrais mostra que a identidade japonesa é o resultado de adaptação, fusão e continuidade, um processo tão dinâmico quanto a própria história do país.




Autor: Silvia Kawanami

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

CRISE NO HOSPITAL JULIETA VIANA MOBILIZA MINISTÉRIO PÚBLICO E EXPÕE POSSÍVEIS VIOLAÇÕES À CONSTITUIÇÃO E ÀS NORMAS DO SUS

 

CRISE NO HOSPITAL JULIETA VIANA MOBILIZA MINISTÉRIO PÚBLICO E EXPÕE POSSÍVEIS VIOLAÇÕES À CONSTITUIÇÃO E ÀS NORMAS DO SUS

Hospital Julieta Viana - em Xique-Xique/BA.

Rawan Machado | Xique-Xique (BA) – A grave situação enfrentada pelo Hospital Municipal Julieta Viana (HJV) ultrapassou o campo das denúncias administrativas e passou a ser tratada como matéria jurídica de interesse público. Uma representação formal, juridicamente fundamentada, foi protocolada junto ao Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), solicitando investigação sobre irregularidades estruturais, sanitárias, administrativas e trabalhistas na principal unidade de saúde do município.

O caso envolve possíveis violações a normas constitucionais, leis federais do Sistema Único de Saúde (SUS) e princípios que regem a Administração Pública.

Teto desaba na pediatria e expõe risco direto à vida

Um dos fatos mais alarmantes ocorreu na ala de pediatria do hospital, onde parte do teto desabou enquanto duas crianças estavam internadas. As pacientes foram retiradas às pressas para evitar ferimentos.

O episódio reforça denúncias de que diversos leitos funcionam em condições estruturais precárias, incompatíveis com os padrões mínimos exigidos para unidades hospitalares.

Na petição apresentada ao MP, o fato é apontado como possível violação ao artigo 196 da Constituição Federal, que estabelece a saúde como direito de todos e dever do Estado, bem como às normas sanitárias previstas na Lei nº 6.437/1977, que tipifica como infração manter estabelecimento de saúde em condições inadequadas.

Equipamentos insuficientes e falha na assistência

Apesar de ser um hospital de médio porte, o HJV conta com apenas quatro bombas de infusão, sendo duas doadas pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB).

Especialistas ouvidos apontam que a quantidade é insuficiente para a demanda assistencial, especialmente em atendimentos de urgência, internações prolongadas e cuidados pediátricos.

A petição sustenta que essa limitação pode ferir os princípios da integralidade e da segurança da assistência, previstos no art. 7º da Lei nº 8.080/1990 (Lei Orgânica da Saúde), que rege o funcionamento do SUS.

Problemas sanitários e histórico de auditorias do SUS

Além da estrutura física, há relatos de falhas sanitárias recorrentes, que podem comprometer a saúde coletiva.

O Hospital Julieta Viana já foi alvo de auditoria do SUS entre 2008 e 2009, cujo relatório apontou irregularidades na gestão e na estrutura da unidade, tendo havido encaminhamentos aos órgãos de controle. Há ainda informações sobre procedimentos de auditoria e fiscalização mais recentes, inclusive em período próximo a 2025, cujos resultados não foram plenamente divulgados.

Na representação, esse histórico é utilizado para demonstrar reincidência de problemas, o que pode caracterizar omissão do gestor público, em afronta aos princípios da eficiência e da legalidade administrativa, previstos no art. 37 da Constituição Federal.

Atrasos salariais, violação de direitos e risco de paralisação

Outro ponto sensível envolve os profissionais de saúde. Médicos e servidores relatam atrasos no pagamento, insegurança contratual e a possibilidade de redução de rendimentos e benefícios, em razão de problemas administrativos do hospital.

A petição aponta que a tentativa de transferir aos profissionais prejuízos decorrentes da má gestão pode configurar violação a direitos trabalhistas e ao princípio da dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, da Constituição).

Diante desse cenário, médicos não descartam paralisação, o que agravaria ainda mais o atendimento à população.

Atuação do Ministério Público e fundamentos jurídicos

A representação protocolada solicita a instauração de Inquérito Civil ou Procedimento Preparatório, com base no art. 129, inciso III, da Constituição Federal, que atribui ao Ministério Público a defesa:

• da saúde pública;

• do patrimônio público;

• da moralidade administrativa;

• e dos interesses difusos e coletivos.

O pedido também se fundamenta na Lei nº 7.347/1985 (Lei da Ação Civil Pública) e requer:

• diligência técnica no hospital;

• análise de relatórios de auditoria;

• apuração da regularidade fiscal e administrativa;

• e comunicação à SESAB e ao Centro de Apoio Operacional de Defesa da Saúde (CESAU/BA).

Saúde pública sob alerta e cobrança por providências

O Hospital Julieta Viana é essencial para a população de Xique-Xique e região. A soma de estrutura deteriorada, falhas sanitárias, equipamentos insuficientes e instabilidade na equipe médica coloca em risco o funcionamento da unidade e o direito constitucional à saúde.

Ao provocar os órgãos de controle, a iniciativa busca que os fatos sejam apurados tecnicamente e com isenção, cabendo às instituições competentes avaliar responsabilidades e adotar as medidas cabíveis.

A reportagem acompanha os desdobramentos do caso e aguarda posicionamento oficial da Prefeitura de Xique-Xique, da direção do Hospital Julieta Viana e da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia.

Por: Rawan Machado.

Sopa creme de batata doce, gengibre e coco

 

Sopa creme de batata doce, gengibre e coco




Sabem que adoro novas receitas para os velhos sabores. Mas depois do maravilhoso gratinado de batata doce, achei que a exploração deste ingrediente já estava de bom tamanho :), até ver essa receita no livro da Books for Cooks, da qual já falei por  aqui
Eu nunca tinha pensado em juntar batata doce e gengibre em uma sopa. Combinam muito bem: o doce da batata é contrastado  pelo picante do gengibre, de uma forma que os sabores não se mascaram, só realçam um ao outro. 
O preparo é fácil é rápido. A textura é bem densa. Para completar, é saudável, não usa cremes gordurosos.  Ou seja, perfeito!

Ingredientes
1 colher de manteiga
1 pingo de óleo
1 cebola picada
2 dentes de alho
1 pedaço (2 cm) de gengibre ralado
500 g batatas doces descascadas e cortadas picadas em pedaços grandes
1 batata
750 ml caldo de galinha ou vegetais
250 ml leite de coco
água quente, sal, tabasco

Modo de fazer
Em uma panela, aquecer a manteiga com o óleo, refogar a cebola e o gengibre. Juntar as batatas doces, dixar refogar mais um pouco, juntar o caldo e deixar cozinhar em fogo baixo até que as batatas fiquem macias. Juntar o leite de coco, liquidificar tudo e voltar à panela. Na hora de servir, reaquecer sem deixar ferver. Temperar com sal e tabasco, a gosto. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

SOPA DE PEIXE

 

SOPA DE PEIXE




Fiz assim:


Ingredientes:


4 postas de pescada (ou outro peixe)
4 cebolas médias
4 dentes de alho
3 tomates maduros
azeite
2 batatas
2 cenouras
coentros
sal
pimenta
pão torrado (opcional)
delícias do mar (eu adicionei umas no final)


Preparação:

Comecei por levar a cozer o peixe em água temperada de sal. Depois alourei a cebola no azeite com os alhos, juntei o tomate pelado e deixei refogar. Depois do peixe cozido e coado o caldo, juntei o caldo ao refogado com as batatas e cenouras. Assim que cozidas triturei tudo com a varinha. Rectifiquei temperos e adicionei o peixe já desfiado e deixei ferver um pouco. Apaguei o lume e adicionei os coentros e as delícias do mar cortadas.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

O Desenho mais triste de todos os tempos, Marco

 O Desenho mais triste de todos os tempos, Marco








Eli Braz — 8 de outubro de 2013

Tá bom, esse é do fundo do baú.

Lembram do desenho japonês, anime, “Marco”? Eu sim. Chorei demais vendo o sofrimento dele.

E você não?

Pois é ele foi produzido nos Anos 70 e apresentado pelo SBT,nos anos 80. Acho que nossa geração em sua maioria assistiu. Mas para mim o que ficou de lembrança foi a triste história do menino Marco que viaja por vários lugares buscando pela mãe que saiu de casa à busca de melhores condições de vida.

Triste demais, chegava ao exagero o quanto ele sofria junto com seu macaco e companheiro de  jornada, Americo. busquei uma sinopse mais completa para os amigos e encontrei no blog/site TV Sinopse. Compartilho um pouco mas indico uma visita lá para mais informações.

Desenho Marco o anime mais triste que me lembro



A série animada era centrada num garotinho de aproximadamente doze anos de idade chamado Marco, que morava em Gênova, ao norte da Itália por volta de 1881, durante a grande depressão, numa casa em que todos viviam numa situação de penúria econômica, mas a família, apesar de todos os problemas, conseguia ser unida e feliz. Marco acordava bem cedo e ajudava sua mãe antes de ir para a escola.

Uma noite, porém, depois de uma jornada no campo, Marco recebe a notícia que sua mãe foi para a Argentina trabalhar como empregada doméstica, pois diziam que lá a situação era bem mais próspera, e assim podia enviar dinheiro para a família.

Essa notícia resultou num grande choque para o garoto Marco. Ele se conformava com o recebimento das cartas animadoras da mãe, até que certo dia as mesmas pararam de chegar, depois da notícia dela se encontrar doente.
Temendo que o pior possa ter acontecido a sua mãe, Marco decide ir sozinho atrás de dela. Uma vez que seu pai se encontrava muito ocupado trabalhando e seu irmão enviado para Milão para conduzir uma locomotiva.

Marco e o macaco de estimação de seu irmão chamado Amedeo embarcam clandestinamente num navio em rumo ao Brasil. A travessia transcorre sem incidentes e Marco consegue até ganhar algum dinheiro trabalhando para as pessoas do barco.

Assim consegue chegar em Buenos Aires, Marco encontra um animador de marionetes chamado Peppino. e sua família que ele conhecera na Itália. Eles o ajudam a chegar até o local onde a carta de sua mãe dizia estar. Lá chegando, porém não consegue encontrar sua mãe, pois fica sabendo que ela fora transferida para outro local. (Cont.. site TV Sinopse)
Marcas que o anime Marco deixou

Não sei quanto aos amigos, mas o desenho marcou minha infância, aliás acho difícil alguém que acompanhou a saga “Marco” esquecer ou ser indiferente.

Assim como sofri durante toda a estória fiquei feliz demais quando ele encontrou sua mãe. Feliz foi nossa geração que tinha emoção na simplicidade de estórias tão singelas como esta.

Tudo o que não temos hoje em meio a tanta violência e descrença. Sonhar e imaginar parecem não fazer mais parte da rotina das crianças. Bem, espero que tenham gostado, eu me diverti muito relembrando.

Se puderem curtam, para eu saber se estou no caminho ou deixem seu comentário, é importante para mim. Antes de sair vejam a abertura do desenho.



Fonte:https://ano70.com.br/anos-70-desenho-triste-tempos-marco

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Porque gosto de canivetes

 


Porque gosto de canivetes..


Porque gosto de Canivetes.

Nunca fui um homem violento, nunca participei em grandes altercações e em todas as situações em que estive envolvido sempre privilegiei o diálogo.
Mesmo nas poucas situações em que foram necessárias posições de força fi-lo sobretudo para apaziguar os ânimos, em função do meu sentido de justiça, muito mais na defesa do outrem do que por causa própria.
Em nenhuma dessas ocasiões saquei de uma lâmina, mesmo em alturas em que tinha duas ou três no bolso, mesmo em ocasiões em que tive lâminas apontadas a mim.
Faço questão de precisar isto antes de qualquer coisa, acima de tudo porque não sou nem nunca fui um “Rambo”, acima de tudo porque de todo não sou nem nunca serei violento.
Precisava de frisar isto para não enganar aqueles que esperavam encontrar neste texto fundamentos para fazer a apologia do uso dos canivetes como arma de ataque, quem estivesse à espera que o fizesse pode parar aqui a sua leitura, não é com certeza a eles que este texto se dirige.
Quem continuar a ler-me, perceberá aqui a necessidade desta precisão, perceberá que é sobretudo o imperativo categórico da não utilização de canivetes como arma de ataque que distingue os homens e mulheres de canivete dos outros, sejam eles belicistas (os que não resistem a dar uma naifada e que só conseguem ver os canivetes como instrumentos para tal) ou pânico/pacifistas (aqueles que assim que vêem uma navalha em cima de uma mesa se alarmam logo e que se põem com conjecturas sobre o que somos, só porque temos uma navalha).
É verdade que cada vez mais os canivetes tem sido associados ao crime, mas se isso acontece é tanto pelos belicistas que o usam, como pelos pânico/pacifistas que com ideias de protecção das crianças, nos canivetes como em tantas outras coisas, os privaram de aprender a usa-los e a viver a vida de uma forma natural, conscientes dos riscos e dos limites.
Quem for realmente um homem ou mulher de canivete, partilhara comigo a minha oposição aos belicistas, pela sua natureza violenta e a minha recusa em ver as peças de cutelaria sobretudo como armas de ataque, partilhara também a minha dificuldade em entender aqueles que são pânico/pacifistas sobretudo porque ainda não consigo perceber a razão das criticas que fazem, e já tenho ouvido tantas, pois quando confrontados com situações em que precisam de uma lamina não tem o mínimo pudor em engolir o que nos disseram e não resistem a pedir-nos a nossa.
Ser homem/mulher de canivete é saber respeitar a lamina, mas acima de tudo o outrem, é sobretudo encarar o canivete como um instrumento utilitário e versátil, nas várias actividades do dia a dia, sendo bastante útil para realizar tarefas mais simples como o descascar de uma maça, ou mais complexas, como soltar-nos de um cinto de segurança bloqueado depois de um acidente ou defender-nos de uma ataque de um animal feroz.
Ser homem/mulher de canivete é partilhar de um legado quase intemporal, beber a essência dos nossos antepassados desde as origens mais remotas, dar valor a toda essa ancestralidade e tradição que marcou a evolução dos instrumentos de cutelaria desde a pré-história das pedras de sílex até aos multi-ferramentas e à graciosidade das falkniven.
Ser mulher e homem de canivete é ter sido criança de canivete, é ter recebido um canivete dos nossos pais ou avós e ter com eles, com a experiencia deles aprendido a brincar com as laminas, ter aprendido a fazer papagaios de papel com elas, ter andado pelos campos e matos com canivetes no bolso a desbravar novos mundos na nossa meninice.
Todos os verdadeiros homens e mulheres de canivete, tenham eles um canivete ou mil começaram assim, com uma prenda dos pais ou avós, um primeiro canivete dado como se de um legado precioso se tratasse, como se mais do que uma dadiva simples fosse um rito de passagem, e em algumas culturas, como em algumas aldeias de Portugal era-o assim de facto.
Foi assim comigo, será assim com os meus filhos, farei assim com os meus netos.
Se bem que no meu caso a dádiva nunca foi bem assumida, pois para não criar grandes confusões, com algumas pessoas que não nos entendiam, o meu avô materno mantinha os canivetes sob alçada dele, mas cada um dos netos tinha o seu preferido e usava-o sempre.
Nunca esquecerei a primeira vez que usei o canivete de que mais gosto, o velhinho OKAPI do meu avô, foi numa vindima quando tinha seis anos, e hoje, quase trinta anos depois ainda o tenho comigo e continua com uma esplêndida capacidade de corte.
Nunca esquecerei também umas férias aos 18 anos num campo de trabalho na serra da Arrábida, a fazer vigilância florestal, em que um velhinho Palaçoulo garfo e faca, adquirido uns anos antes em Guimarães foi fiel companheiro de trabalho até à exaustão, sempre que era preciso, tendo-se superiorizado em algumas tarefas como o corte de galhos e silvas às facas de mato e ao canivete suíço de um amigo meu, tão em voga na altura devido ao MacGyver.
Com a morte do meu avô materno fiquei a pedido da minha avó com os seis canivetes dele, três icel, um Ivo, o okapi e curiosidade das curiosidades um canivetezinho de duas láminas prateado, com uma corrente para prender ao cinto que tinha sido a primeira prenda de natal que eu lhe tinha dado na vida e que comprei numa feira da minha aldeia.
A esses canivetes juntei o palaçoulo de que falei acima e um canivete estilo suíço que aos 19 anos me foi oferecido pelo meu irmão Raul e dei assim inicio àquela que é de todas as colecções que tenho a que mais estimo e que vai já em mais de 200 peças, tendo ao longo destes anos comprado muitos, recebido muitos, graças ao meu irmão Raul, à minha irmã Rita, à minha adorada pequena Ana e à minha madrinha adoptiva Júlia, mas também tido o cuidado de pedir aos familiares mais próximos que me dessem um dos seus canivetes ou facas como recordação deles, para que mais tarde possam vir a ser dados aos meus filhos e netos,
Foi assim com a minha mãe que me deu o canivete que ela usava na bolsa dos lápis, com o meu pai que me deu a faca de mato que ele tinha e que eu cobiçava desde criança.
Foi assim com o meu avó paterno que me deu dois ou três canivetes, entre os quais o primeiro canivete estilo suíço Português que vi e trocou comigo o velhinho palaçoulo que a minha avô ainda usava, e com um tio avó paterno, pessoa a quem muito estimo e que é senhor de vários canivetes que ainda não me atrevi a ver, mas que quando lhe pedi uma recordação dele me deu, sem reticencias e sem que lho tenha pedido especificamente um canivete gravado à época comemorativo das Vitorias do Benfica em 1966.
Foi assim com o meu grande amigo Vitorino, que me deu entre outras magnificas peças uma maravilhosa adaga da primeira guerra e uma velhinha e bela faca ponta e mola.
Posso considerar-me um privilegiado pois ao longo destes anos tenho conseguido algumas relíquias, porque tenho aprendido a ser homem de canivetes com pessoas como o com o Sr. Paixão, que entretanto já faleceu e que tinha uma colecção magnifica, ou com o Carlos Norte, verdadeiro timoneiro destas lides, não só pela maravilha das peças que vende mas pelo amor que tem à cutelaria e pela paciência que tem comigo, mas acima de tudo porque tenho pessoas de quem gosto, pais, avós, tios-avós, irmãos e amigos, que aceitam este viciozinho, alguns a custo e que mo ajudam a alimentar, sendo que alguns deles, com umas ofertazinhas minhas (não há nada que a beleza das peças do Carlos não faça) se vão aos poucos convertendo em homens e mulheres de canivete.
Acima de tudo porque um dia poderei dar aos meus filhos, netos ou sobrinhos, a minha colecção e assim parte de mim, gesto sem o qual continuar a faze-la não teria sentido, não escondendo no entanto que adoro esta sina constante de procurar o canivete ideal que me faz ir trocando de peça de vez em quando, mas isso dava outra história.

Pedro Antunes..

domingo, 11 de janeiro de 2026

Tantojutsu

 Tantojutsu



A arte da luta com facas japonesa é uma espécie de "santo graal" entre os praticantes de artes marciais. Eu mesmo já investi uma boa quantia em informações sobre essa subdisciplina esotérica do bujutsu.


Um dos motivos para tanto interesse nessa arte é a sua aparente aplicabilidade às necessidades modernas. Observe ao seu redor na próxima vez que estiver na rua e veja quantas pessoas carregam canivetes presos aos bolsos ou à cintura. Outras artes marciais com facas — Sayoc Kali, escrima, arnis, etc. — de outras partes do mundo ganharam popularidade, mas pouco se sabe sobre as artes japonesas. Isso levou alguns a acreditarem que o tantojutsu é uma arte supersecreta e invencível. Como sempre, há quem se disponha a repassar fraudulentamente os "segredos" de técnicas fictícias. Outros afirmam que o tantojutsu é uma arte desonrosa, inextricavelmente ligada ao submundo da Yakuza japonesa.


A verdade, como de costume, é outra. O tantojutsu certamente existe como parte dos ensinamentos de vários ryu, mas não necessariamente da maneira que muitos não japoneses esperam. Podemos perceber pela arte contemporânea que a habilidade de usar a grande faca de combate era muito importante para os samurais em períodos anteriores da história. Há diversas pinturas, biombos e similares mostrando samurais lutando com invasores mongóis, derrubando-os e finalizando-os com o robusto tanto. Parece até que a faca era a arma preferida nesses confrontos corpo a corpo, mesmo em relação à espada. A chave para a verdade reside nessas evidências nas ações de luta dos guerreiros envolvidos. Em vez de ser uma arte distinta e independente (pense em arco e flecha versus esgrima), muitas técnicas de luta com faca eram ensinadas como um complemento às habilidades de jujutsu. O Takenouchi Ryu, uma das escolas de jujutsu mais antigas, incorpora técnicas de faca e espada curta. Curiosamente, muitas técnicas formais são, na verdade, de natureza defensiva e pressupõem um certo conhecimento do uso da faca. Na verdade, a técnica com faca provavelmente recebia uma breve descrição do professor para que o defensor pudesse aplicar a técnica "correta" para contra-atacar. Muitos praticantes de artes marciais modernas costumam pensar que o "defensor" em um kata específico é o único foco da técnica, mas nas artes marciais tradicionais, ambos os lados têm lições importantes a serem assimiladas pelos participantes. O Bujinkan não possui técnicas específicas de tantojutsu, mas ensina os praticantes a usar facas em conjunto com suas técnicas de combate desarmado. Essa provavelmente era a prática comum ao longo da história. A faca aumenta a eficácia das técnicas de artes marciais e é especialmente útil se usada de forma furtiva em um confronto.


As técnicas de Tanto também eram ensinadas em conjunto com as técnicas de espada. Os espadachins aprendem rapidamente que o segredo de sua arte reside no tempo e na distância, ditados pelo comprimento da lâmina. O Tanto tradicional era uma faca de combate feita especificamente para esse fim, não uma ferramenta, e era considerado a menor espada verdadeira. Portanto, a distinção entre usar a espada e usar a faca não era tão grande para os espadachins. Muitas escolas de espada ensinavam técnicas específicas para espadas curtas, a fim de melhor aproveitar as qualidades únicas do comprimento da lâmina. Muitas escolas ensinam que armas curtas, mesmo facas, são, na verdade, a melhor maneira de se defender de armas longas, como lanças.


Possuo uma gravação em vídeo das técnicas de Tantojutsu da Yanagi Ryu, que parecem ser tão demonstrativas das técnicas gerais de faca quanto qualquer arte marcial pode ser. As técnicas de faca parecem preencher uma lacuna entre o Kenjutsu (espadas) e o jujutsu. As técnicas da Yanagi Ryu também parecem compartilhar um padrão comum. O defensor primeiro usa a faca contra o membro atacante (geralmente nas articulações) e, em seguida, mira em uma área vital. Após uma análise cuidadosa, é possível observar que as áreas vitais do alvo — garganta, rins, artéria subclávia, artéria femoral, tendão de Aquiles, etc. — também estavam expostas através das aberturas na armadura do samurai. Isso é bastante típico das técnicas de artes marciais japonesas, que frequentemente são projetadas para serem usadas contra oponentes com ou sem armadura. Essas características coincidem com algumas outras técnicas de tanto que cataloguei em outras fontes.


Não se trata de que o tantojutsu seja uma arte deliberadamente oculta. Não é que ele não exista. E o tantojutsu não faz parte de uma organização secreta clandestina. Simplesmente, o "tantojutsu" integra diversas tradições de artes marciais japonesas, e não é geralmente uma arte marcial separada e distinta. As informações disponíveis sobre as demais técnicas de tanto são frequentemente ignoradas e mal interpretadas.



ORAÇÃO PODEROSA PARA RECEBER UM MILAGRE

  ORAÇÃO PODEROSA PARA RECEBER UM MILAGRE Ó DEUS MILAGROSO, QUANDO LEMBRO DOS TEUS FEITOS, NASCE UMA FÉ EM MEU INTERIOR, POIS SEI QUE ÉS UM ...