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sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

A malandragem do dízimo

 

           A malandragem do dízimo


Seria bíblico a Igreja cobrar 10% de seu salário?
De Sebastião Ramos
funcionário público federal @gmail.com

Num mundo em CONSTANTE MUDANÇA, tudo se tornou passível de questionamentos e incertezas. "O que era sólido se desmanchou no ar como fumaça", como disse certo analista de renome internacional. Até as descobertas científicas podem ser vistas por outro ângulo. E as crenças religiosas? Também já são observadas com desconfiança; uma que trataremos é sobre a cobrança do dízimo. Numa época passada, quando o dízimo não estava sendo pago pelos fiéis, regularmente, os pastores mandavam as irmãs entoarem um hino de louvor, com o objetivo de fazer PRESSÃO PSICOLÓGICA aos fieis, ou seja, se o dizimista não regularizasse suas mensalidades – o seu voto prometido a Deus - pagar o dízimo até o final de sua vida – estariam cometendo infração gravíssima, e, sendo assim, perderiam o direito de entrar nas moradas de Deus. ‘O QUE A RELIGIÃO NÃO TEM CONSEGUIDO FAZER!’

Perante tantas dúvidas persistirem sobre a cobrança dízimo, surgem perguntas: O dízimo é um mandamento bíblico para o cristão? Devo pagar ou não pagar? Dizem até que o dízimo está na Bíblia; mas, o que representa para os nossos dias? Talvez achem que é um assunto polêmico e difícil de obtermos resposta exata, porém a Bíblia, por advir de inspiração divina, pode nos revelar seguramente como proceder diante deste dilema. (2 Timóteo 3: 16)
Inicialmente, leiamos em nossa Bíblia, Deuteronômio, 26: 12, que diz:"De três em três anos, junte a décima parte das colheitas daquele ano e dê aos levitas, aos estrangeiros, aos órfãos e às viúvas que moram na cidade, para que tenham toda a comida que precisarem. Depois, na presença de (Jeová) nosso Deus, você dirá: "Entreguei aos levitas, aos estrangeiros, aos órfãos e às viúvas a parte das minhas colheitas que pertencem a ti”. Precisamente, o relato bíblico assegura, que, o dízimo era doado voluntariamente, para alimentar as viúvas, os órfãos, levitas e estrangeiros, e nunca foi em dinheiro, apesar de já existir. Hoje, os valores se invertem a medida que as próprias viúvas, que ganham um mísero salário mínimo, são obrigadas a pagar o dízimo, quando deveriam ser beneficiadas por ele. (Leia, Deuteronômio 14: 24 – 26)

Noutra ocasião, quando se juntava contribuições para os necessitados da Judéia, não fora mencionado nenhuma porcentagem específica - 10% - a ser entregue, como prova do seguinte relato bíblico: "Cada um dê a sua oferta conforme resolveu no seu coração, não com tristeza nem por obrigação...” (2 Coríntios. 9: 7). Já nos dias do antigo Israel, também os dízimos eram ofertados em cereais, frutas e gado. Notem: "Eu, Jeová, o Todo-Poderoso, ordeno que tragam todos os dízimos aos depósitos do Templo para que haja bastante comida na minha casa" (Mal 3:10). Quando os fariseus tentaram se justificar perante Cristo por serem fiéis ao dízimo, veja o que ele disse: “Ai de vós escribas e fariseus hipócritas! Porque dais o dízimo da hortelã, do endro, e do cominho, mas desconsiderastes os assuntos mais importantes da lei...” Mais uma prova cabal de que o dízimo não era ofertado em dinheiro, mas em gêneros alimentícios. Após a morte de Cristo, esta lei foi ABOLIDA, definitivamente, até a que determinava apresentar ofertas e dízimos (materiais específicos). Portanto, no lugar do dízimo, os cristãos são aconselhados a darem uma oferta voluntária, como disse o próprio apóstolo Paulo: "Cada um contribua segundo o que propôs em seu coração.

A maior das ofertas que o cristão pode oferecer a Deus, hoje, é o fruto de lábios que fazem declaração pública do seu nome, ou seja, pregar o Reino, tendo em vista que o Dia de Jeová está próximo e se apressa muitíssimo. É lógico que essas contribuições financeiras são essenciais para a manutenção dos locais de adoração com suas despesas inerentes, não para sustentar uma classe privilegiada de líderes religiosos, pois o apóstolo Paulo afirmou que os cristãos deviam estar preparados para trabalhar e sustentar a si próprio e não ser um fardo para outros, como ele mesmo fazia (Atos 18: 4, 1Cor. 9:13-15). Ademais, por causa da cobrança do dízimo, começam a pipocar casos em que a Justiça tem determinado que algumas organizações religiosas devolvam ao fiel o dízimo que este pagou, mediante recibo.

Uma sentença judicial contra a Igreja Universal do Reino de Deus deixa uma alerta para todas as Igrejas que cobram o dízimo. A referida instituição foi condenada a devolver ao fiel Edson Luiz de Mello todos os dízimos e doações feitas por ele. De acordo com o processo movido por sua mãe, Edson, que é portador de enfermidade mental permanente, passou a freqüentar a igreja em 1996 e desde então era induzido a participar de reuniões sempre precedidas e/ou sucedidas de contribuição financeira. Segundo o advogado, que representou o fiel, Walter Soares Oliveira, a quantia total a ser restituída será apurada com base nas provas, mas certamente ultrapassará os R$ 50 mil. Além de devolver as doações, a Igreja Universal ainda terá de indenizar o fiel em R$ 5 mil por danos morais. No processo consta que "promessas extraordinárias" eram feitas na igreja, em troca de doações financeiras e dízimo. Teria sido vendida a Edson Luiz , por exemplo, a "chave do céu". A vítima também recebeu um "Diploma de Dizimista" assinado por Jesus Cristo. Com isso, as colaborações doadas mensalmente chegaram a tomar todo o salário do fiel, que trabalhava como zelador”. (FONTE: Portal Uai).

Os antigos já diziam: "Podemos enganar as pessoas por um tempo, pela metade de um tempo, mas não por todo tempo". Então, é chegada a hora de se falar a verdade sobre o dízimo, que não é mais bíblica a sua cobrança. As religiões, em sua esmagadora maioria, não praticam as doutrinas da lei mosaica, como guardar o sábado, sacrificar animais, dentre outros; porém, quanto à cobrança do dízimo - dinheiro - não desistem jamais, mesmo sabendo que é um mandamento da lei. Em Gálatas, 3: 10, diz-se: “Os que estão debaixo das obras da lei estão debaixo da maldição...” Realmente, por mais que se sacrifique a pagar dízimos, não seria justificado diante de Deus, porque, segundo a Bíblia, o justo vive em razão de sua fé.

Os líderes religiosos, hoje, falam sobre dízimos de modo discreto porque sabem que não tem base bíblica a sua cobrança, porém, em compensação, investem noutros tipo de marketings para fazerem negócios das pessoas como afirma uma profecia bíblica. Exemplos: Em certa religião, um cartão de ouro é proporcionado por mil reais para quem desejar se tornar parceiro de Deus, mas também tem o de prata e o de bronze, com preços menores. Outras religiões apelam para o sensacionalismo midiático por afirmar que, se os fiéis não derem suas ofertas alçadas, o programa sairá do ar e muitas almas ficariam penando pelo mundo afora. Com tanto dinheiro arrecadado, é provável que digam em suas camarinhas: “E viva o dinheiro – o nosso céu”.

Concluindo, podemos observar nos textos bíblicos, que não há ORDENANÇA nenhuma para o cristão ser dizimista e, sim, um ofertante voluntário.

Fonte:http://lingualingua.blogspot.com/2009/02/malandragem-do-dizimo.html?m=0

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Partes do Katana

 

               Partes do Katana





A Forma - Conhecendo-se a forma da espada, consegue-se saber para que fim ela foi desenvolvida, o período e de que escola ela deriva. Pelo fato de ser feita à mão sua forma pode ser considerada única.

• O Hamon - O Hamon é o padrão de cores que existe na lamina da espada. Sua função é apenas estética, mas requer uma técnica muito especial para a sua construção. Para criar o padrão o cuteleiro o desenha na lãmina com um tipo de barro, aquece a lãmina até uma certa temperatura e então a esfria em água. E graças a capa de barro que o metal é resfriado de forma desigual criando assim os belos padrões.
• Assinatura do cuteleiro - O cuteleiro quando termina uma espada e esta atingiu todos os padrões de qualidade exigidos por ele, então este satisfeito assina o seu nome no tang da espada, que é a empunhadura da lãmina, aonde não foi polida. No tang, além da assinatura, podem estar escritas outras informações como o ano de fabricação.
• Qualidade do aço - A qualidade do aço está muito relacionada com o período no qual a espada foi feita e com os recursos utilizados para a fabricação do aço. Como exemplo as espadas antigas possuem um tom cinza escuro, já as espadas mais modernas possuem um tom mais claro.
• Hada - É o projeto visível do grão do aço da espada, ou seja, a textura presente na lãmina. É o resultado da maneira que a espada foi dobrada durante o forjamento. Hada pode ser dificil para que o novato interprete e é obscurecido facilmente por uma lãmina deficientemente lustrada que seja manchada ou oxidada.

01-Menuki..........................................02-Kashira...................................................03-Habaki 




• Saya - A bainha da espada, feita de madeira.
• Sageo - Uma corda presa de maneira trabalhada e especialmente em espadas de enfeite. É preso ao Obi (cinto) quando a espada está em uso. Também se conta que na época de guerra no Japão feudal, o sageo era usado para enforcar inimigos.
• Tsuba - O tsuba é um disco de ferro que serve para proteger a mão contra a lãmina da espada do oponente .
• Tsuka - O cabo da espada. É muito trabalhado e e detalhado . É a pegada da katana, tendo que ser muito bem feita para que a espada não escape da mão.
• Kojiri - É o final do saya(bainha) .Geralmente feito de chifre de búfalo ou algum tipo de metal. Alguns sayas não têm ou não precisam de um kojiri, que muitas vezes é usado como um componente artístico.
• Kurigata - É por onde o sageo(corda) é amarrado.Costuma ser feito da mesma madeira do saya, de chifre de búfalo ou algum tipo de metal.
• Koi-guchi - O koi-guchi é a "boca" do saya. Pode ser reforçado por algum tipo de metal, também usado como ornamento artístico
• Habaki - É a parte da espada que se encaixa no koi-guchi




resumo:




Boshi - o hamon do kissaki
Fuchi - anel ornado na parte superior do tsuka
Ha - fio da lâmina, geralmente em metal mais duro que o restante da espada
Habaki - colar da lâmina
Hada - grão da lâmina obtido pelo processo de forja chamado 'folded steel'
Hamon - linha na lâmina que mostra o encontro entre o ha e o mune
Hi - sulco na lâmina
Ho - estrutura de madeira do tsuka
Kashira - adorno na extremidade inferior do tsuka
Kashira-gane - orifício da kashira
Kissaki - ponta da lâmina
Ko-shinogi - curva do shinogi no boshi
Koiguchi - boca da bainha (saya)
Kojiri - extremidade inferior da bainha
Kurikata - orifício na lateral do saya onde se prende o sageo
Mekugi - pino de bambu que prende a lâmina ao cabo
Menuki - ornamentos abaixo do tsuka-ito
Mune - dorso da lâmina
Mekugi-ana - orifícios no nakago por onde passam os mekugi
Mono-uchi - porção superior da lâmina
Nakago - alma da lâmina
Sageo - cordão para prender o saya ao obi
Same-hada - textura do samegawa
Samegawa - couro de arraia ou de tubarão que reveste o tsuka
Saya - bainha de madeira
Seppa - anéis entre o tsuka e o tsuba e entre tsuba e o habaki
Shinogi - a linha que divide a lâmina em toda sua extensão
Shitodome - acabamento decorativo no kurikata
Sori - curvatura da lâmina
Tsuba - guarda-mãos
Tsuka - cabo
Tsuka-maki - a arte do encordamento do tsuka
Tsuka-ito - o encordamento no tsuka
Yassuri-me - marcas ásperas no nakago
Yokote - a linha entre o kissaki e o restante da lâmina

Lingua Brobó

 

Brobo é a línguas ancestral do povo Karaxuwanassu, faz parte do tronco linguístico do povo xukuru filiado ao macro-gê, durante muito tempo o povo xukuru foi proibido falar a sua linguá materna, atualmente o povo xukuru fala o português, com o processo etnogenese na Metropolitana de Recife, com vários povo, também renasce o Brobó, pajé Opkrieka Juruna Karaxuwanassu criou esse projeto de revitalização e reativação da língua Brobó.


Projeto Resgatando e Revitalizando nossa língua Ancestral

Autor: Ridivanio Procópio da Silva (Pajé Oprimida Juruna Karaxuwanassu). Povo Karaxuwanassu é família xukuru do Ororuba, emergiu  na Grande Recife-PE. Somos vários povos em um só para nós fortalecer e lutar por políticas públicas. Luta por território, educação, saúde, habilitação, e o bem viver.
Estamos localizados na Reserva Indigena Marataro Kaeté em Igarassu-Pe.

1. Á sufixo(plural)

2. abrera................. prender, fez
3. aiyo..................... bolsa
4. Abaré.................. silencio
5. abarede................ que cala
6. Abarugo.............. calado
7. abengo................ menino
8. aço,axo................ olho
9. aloji..................... olho
10. adame................ dia
11. adome................ sol
12. agugo,agrugo.... coberta,cobrir, coberto
13. aguamiranga......ornamento de penas vermelhas para membros inferiores
14. Ariajú.................pajé 
15. ajigo...................prender
16. ako.....................filho
17. akóbra................banana
18. akrugó................pequeno
19. amapré...............por culpa(kariri)
20. ambera...............até logo
21. ambemen...........até amanhã
22. amberagugo.......até o fim 
23. amank................animal, gado
24. ambeko............. menino

25. amo(pré-fixo)....até 

26. amobinhé...........outro tempo
27. amoklarin...........outro dia
28. amun..................farinha
29. antiá................... olhar
30. apodi..................paca
31. apodide..............que é da paca
32. aracoaya.............saia de pena de avestruz
33. arakré.................respeitar(kariri)
34. arakrede.............que respeita
35. aragó..................brigar, lutar
36. aragu..................roubar, rasgar
37. aragigo...............abrir
38. ari, aradu, araridú, a(sufixo).....serra, montanha 
39. araniji.................serrinha 
40. aricuri............... duas serras
41. arideri................esposo 
42. aridaire..............soldado, guerreiro
43 a.rideli................inimigo
44. aruano................cavalo 
45. atsehitse............príncipe
46. atseipe...............princesa
47. atselugo............ rei,reinado
48. attong,atug........mandioca
49. aumaka.............roupa macacão(parecido de pescador)
50. avenko, unj, junkrikreka ..........cabelo
51. axéko, xinkin.....nariz
.... Awa........... nascer
52. awixo.................mau 
53. awikó.................rapaz, jovem
54. baiane................calar
55. badse.................fazer
56. badswen............construtor
57. badsede.............que faz
58. bandulake.........orelha 
59. bake..................criar, formar
60. bakwen.............criador
61. bakede..............que cria
62  bapingo..............estar sentado, sentar
63. baré...................começar
64. baru...................roça 
65baruke...............beleza
66. barretina, Kanitira........coca de palha
67. batoki,batroki.................noite escura, sem lua 
68. batukin, batyukin............escuro, noite, neblina
69. batesaka..............feijão 
70. bera.....................logo mais
71. betukin................escuro
72. bengo...................preá 
73. bešte....................flecha
74. biá........................não
75. bibi......................pequeno
76. binhé...................tempo
77. bizigo, kapiongo............ triste
79. bõdãso.................sangue 
80. bondo-yen............camaleão
81. bõni......................vermelho
82. bonitsã..................encarnado
83. boayrã...................ensinar, educar
84. bonkoré.................pintura de corpo
85. boró.......................monte
86. boronen.................pessoa vermelha
87. bowitane...............substituto
88. beñamu................. surdo 
89. bemen................... manã, oh de casa
90. bera........................logo mais, depois
91. beragugo................ fim
92. bremen....................bom dia 
93. brende-poo..............obrigado
94. brobó......................língua xukuru
95. burudo....................ovelha
96. buxo, buxudo..........bicho de pé
97. Kaité.......................água
98. Karago............cavar, escavar, fazer buraco
99. karwatá...........água clara, água branca.
100. kaô................São João
101. kabaço.............terreiro
102. ka-kaêgo.........sujeira
103. kacawé............jandaia 
104. kasione...........caju
105. kâmera...........arbusto de flores amarelas
106. kamqué..........índio
107. karé kuinengo proriú..............homem branco que acompanha o índio
108. karbeto...........luau (encontro onde se canta a noite)
109. karfa...............piranha
110. Karamocha...............arma de fogo
111. ko....................chifre
112. koer.................bolso
113. komabago.......covarde, covardia 
114. korraveara.......árvore da carnaúba 
115. kamiranga........carniceiro
116. klarin............... dia
117. klariú, klarimen..................estrela 
118. klarismon............................sol
119. klarici..................................lua 
120. Klarigugo............................bispo
121. klaruá..................................céu 
122. karreta.................................estrela ursa maior
123. kreamun.............................. noite,  abóbora 
124. krexer...............lenha 
125. kuriacha...........fava 
126. kurimen...........carneiro
127. kuinengo..........acompanhar, ir junto
128. dariko...............liso, escorregadio
129. diá..................dizer 
130. diapelé.............declarar
131. ditré..................serra vermelha
132. do.....................o que?
133. doboró..............manguzá
134. dotsaka.............batata doce
135. doyé..................persevera 
136.  dsuyé............... sonhar
137. Duá...................Jesus (Papa duá) 
138. ebezigo.............desprezar
139. eburé.................apressar-se
140. echala...............fava
141. eikoré...............avarento
142. eigugo...............proibir
143. eniye.................azul 
133. doboró..............manguzá
134. dotsaka.............batata doce
135. doyé..................persevera 
136.  dsuyé............... sonhar
137. Duá...................Jesus (Papa duá) 
138. ebezigo.............desprezar
139. eburé.................apressar-se
140. echala...............fava
141. eikoré...............avarento
142. eigugo...............proibir
143. eniye.................azul 
144. enkra.................seco, secar
145. estennggu, estengo, estom..........fumando 
146. entaiu, entia, entay..............dinheiro
147. faze ombrera....................... chamar para ir embora
148. faiança..................louça 
149. fiexa......................arco 
150. fuji, fuge...............feitiço
151. fuska.....................arapuá
152. foi odé...................parente falecido
153. fõfõ....................... café
154. fekia......................ticaca, gamba
155. ganhanxo...............boi, gado
156. gargau....................peixe boi
157. garaja.....................jaca 
158. goxé.......................tripa
159. gon-ya....................dormir
160. gon-yê....................negro
161. gonengo.................bom 
162. gonengode..............que bom 
163. gonengoá................bondade
164. gonengoade.............que bondade 
165. gonengomigo...........bonito
166. goneró......................coisa boa (goniaro)
167. gonimen....................prazer 
168. goni-poo...................muito prazer
169. gotiká.................verdade,verdadeiro
170. gingi.........................pequeno
171. girimataia..................cobra, pimenta
171. girimum = limão 
172. graxia = urubu
173. guara abucu = capa de pena
174. gurinxáú = faca
175. gutimen = tarde, despedir
176. hododogu = cintura
177. hone = certo,direito(k)
178. hummode = amem, assim seja(k) 179. hundiró = maltrapilho
180. iako = velho 181. ianan = vagina 182. iankwen, iako = venha cá
183. iapuna = forno
184. idh,idilo = coração 
185. ienken = patim 
186.ig = ponta
187. igtug,itug = ponta grande
188. ilarimen, iakutmen = boa tarde 189. ikó = corredeira, aqui
190. impru = revolver
191. inaró = portanto, por isso (k)
192. inobe= na ponta, no topo.
193. inkutmen = de tarde
193. inbemen = de manhã
194. intataremen = de noite
195. inbrugúgo = guloso, gula, mau
196. inbruguke = gordo, engordar
197. inemen ô = de casa 198. inbremen ô de fora 199. inemu farinha = de mandioca 200. inobe = na ponta, no topo, em cima 201. intoá = fogo 202. intoka= por fogo, acender fogo 203. intuco = curto 204. inkutmen = de tarde 205. intataremen = de noite 206. isaka = peru 207. ipu = pai 208. isu = mãe(xukuru kariri) 209. iša,ixa = carne 210. irú = mau 211. itóka = fogo, por fogo,acender 212. ituiyé = credo,acreditar 213. itu = fé(K) 214. ituitu = muita fé(k) 216. ita = sabor, saboroso(k) 217. itaita = muito gostoso(k) 218. itxuré = desculpa 219. ivá = cacho de preparação de bebida,ou guara mandioca 220. izari,ixari = titica,coco,feze 221. jabaí = grande,alto 222. jabaígo = crescer 223. jabrêgo = cachorro 224. jadiremen = soldado 225. jatukh,jatuke = antes, ontem 226. jatuklarin = ontem de manhã 227. jatukimen = ontem de tarde 228. jatukin = ontem de noite 229. jatsamuh,jatsamem = antepassado, povo, parente 230. jatsanhê = antepassado 231. jaze,jaje = cintura 232. jetum = menino 233. jetuin = menina 234. jequipanga = divertimento 235. jibaí = subir 236. jibaígo = elevar-se 237. jibongo = quantia 238. jipago = feio 239. jerere,irerê = marreca, galinha d´água 240. jetô = espírito (jeti) 241. jetô jeti invocar espírito 242. jeton = fumar no ritual 243. joje = cintura 244. jogh = dar 245. joacoca = envergonhar-se 246. jubêgo = feiticeiro 247. jupegú = temer,ter medo 248. jupêgu = feiticeiro 249. jusa = vinho da jurema 250. jucrede = dente 251. jucri = cabelo 252. jukimen,juke = beijar 253. jupegúgo = mentiroso 254. jupú,jugriêgo = negro 255. jetonm = gato 256. kaité = água 257. kakapeba,kapeba = amigo 258. kakriêko = ponto do boi 259. kamemen = bom dia 260. kanby = venha, vir. 261. kanby zipotay = valha me Deus!!! 262. karé = homem branco,não índio 263. karibuxi = mulher bonita(x-k) 264. karepiracha = quando uma pessoa fica com a pele branca 265. karico pexurumen = mocó 266. kariko mandumen = preá 267. kapuê = luz(x-k) 268. kaplé = brilhar(x-k) 269. kapigo,kapibe = arrepender,arrepender-se,arrependimento 270. kapxégo,kapixego = cadáver 271. karfa = piranha 272. karatshitshi,kashishi = pedra 273. 
kebre,kreké,kwebrá = pedra 274. karuza = rapadura 275. kaxuvemini, nazarine = atirar com espingarda 276. katengo =cobra 277. katigo = vivo,viver,morar 278. katongo = feio 279. kató = poder 280. kazure = doce 281. kayago = mês 282. kei = rio 283. keite = jeito, maneira 284. kelaRmo = lua 285. keshta = corda 286. kemakwin = soldado 287. kentura = pedra sagrada 288. kiki = mesmo 289. kikiva = isso mesmo 290. kinaw = conserta, ageitar, reparar 291. kino = para 292. kinogo = parar 293. kilarismon = noite claro, noite com lua 294. kiringo,kirino tucano 295. kiya,kiró fogo 296. kixô amaldiçoar 297. kiwêrá Aprender 298. krêxa mulato 299. krinin pequeno 300. koer bolso 301. koibé rosto 302. kobé testa 303. konkré cacete 304. kopabe castigo,pena 305. kopago matar 306. kopanga bater 307. kopanli sentença 308. kopungo morrer 309. kopum,kophum morto, difunto 310. kophu araga alma penada,assobração 311. koneká nuca 312. koran começar,iniciar 313. koreke mão 314. korekuru palma 315. koró = queimar 316. krabo próximo de, perto de 317. krabokiá longe 318. kreagugo chapéu 319. kreo pequeno 320. krêxá mulata 321. kreo-inxo pinto 322. krešuagu mulata 323. krenu ávore 324. krenz,krenzi,krexer pau, lenha, madeira 325. krenugingi graveto 326. krenugire espeto 327. kreká cabeça 328. krekiégo pedir 329. krikri boa 330. krikiše água 331. kringgo,kringó fazer comer 332. kriphu menino 333. krišiše está chovendo 334. kriya fósforo 335. krikru escuro 336. kuit pequeno,pouco 337. kuphu,kupum morto, defunto, cadáver 338. Kupunga morrer 339. kureko cabaça 340. kurike fava 341. kuriko maca 342. kurišiba lagartinha 343. kuró esquentar, aquecer 344. kuša piolho 345. kutmen tarde 346. labudu carneiro (rabudo?) 347. lemulago,lemulaigo,lomba terra 348. lânprego onça 349. lebo coelho 350. lebre cão 351. liopion bisavô 352. liopipe,liopipon bisavó 353. lomba terra 354. lombanhego lugar de ensino (cimbres) 355. lombri água 356. lombramão trabalho 357. lanprêgo onça 358. lungi sal 359. mãdio pesado 360. madgoz tripa 361. macagua, macaú av.karkara 362. mako ao lado 363. makringo cachimbo 364. manuan cobra de veado 365. mancha manga 366. maiopipo menino 367. maipapacoba sandalha(feita de palha de caragua) 368. mancha manga 369. man-kwé negro 370. mantú tatu bola 371. man-yogo raiva, com 372. marau raiva, com 373. marin,marinha(o) boi 374. maruano burro 375. maze, mageru fumo, tabaco 373. mayópó intestino,ventre 374. mayópipo menino 375. menby gaita, flauta(tupi) 376. menmengo bode, cabra 377. menyin vasilha 378. meyin panela, jarro 379. meubrapara bambu,taquara 380. mó ir 381. momo andar,passear. 382. moyê passar 383. moi panela de barro 384. monbrum nuvem 385. murisha dormir 386. mutengo fazer correr 387. munkunj preguiçoso 388. muntego viajar, fazer viagem 389. naiye biago ficar quieto 390. naiye tigore ficar calmo 391. nambipaya brinco feito de osso 392. nanegu cansado 393. natsinga saber 394. nekètá cacique 395. nhoenbia calar-se 396. netso saber,conhecer,entender 397. netsokrede lembrar 398. neyedigo guardar 399. neyenta cobiçar 400. ni posse de lguma coisa 401. nika ter 402. nggutimæ duas horas da tarde 403. noim, non-yen falar 404. nhan garganta 405. nhancoren fanhoso,roco,roquidão 406. nhotó lingua 407. noiré cantar 408. noiké gritar 409. nennen dizer 410. no por, para, pela 411. nobe no, na 412. node porque 413. noru porem 414. nhumbugaku flauta de taguara 415. oderi? quanto(p/pergunta) 416. oiugi cascavel 417. okripe menina 418. okimen perder 419. ombroa barriga 420. ombrian camarada 421. opipe criança 422. opicomen boca 423. okebe perder-se no caminho 424. okor banco 425. okupe dentro de 426. okumen fora de 427.
ombrera viajar, correr 428. oro,oroo, arara(k) 429. oro coisa,objeto 430. paité,putú Deus 431. pá terminar 432. paiko lado 433. pajuru,pajucu cacique 434. Papá Duá nosso senhor(jesus) 444. papesaka, isaka, teatisaka peru 445. papexoara colar,(conta de varias cores) 446. pepuco rede 447. piganman olho 448. pigomar ouvir,ovelha 449. piphiu,pipio rato 500. piraša branco, verde 501. piraci você, tu, seu, tua, etc. 502. piningo cavalo 503. pitanga capitão 504. pitingo carro 505. pirara muito, bom 506. pirax bonita 507. potá dançar 508. Potay Deus 509. porou abóbora (porongo?) 510. poya pé 511. prayá ritual 512. pre chefe 513. pro velho 514. ptšenge,pitingo cavalo 515. puju,phuzo porco 516. pucreron abelha 517. puku lagrima 518. pirara muito 519. quebrangulo matador de porco(k) 520. quité sem dinheiro 521. quibugu matar 522. quibunge panela 523. quirico devorador 524. reinen gosta de 525. ribaia unha 526. sacolejo preá 527. saikran bexiga 528. saka feijão 529. sakarema mulher do cacique 530. sakwaren faca 531. sanumpI velho 532 sãzara cobra, esp. De 533. sarapó sapo 534. sikrin,xinkrin= nariz 535. šabatenna cobra 536. samba cágado 537. šabute cágado,tartaruga 538. šabute, šababute peba 539. šadure cachimbo 540. šapruiz titica,feze 541. šegu, šigru, sigu, xiquim milho 542. šeki, šekh,sekre,xako casa 543. sere sede 544. seagugo telhado 555. seby cadeira 556. sedear cigarro 557. setselugo reino, reinado 558. setso índio( xukuru kariri) 559. setsonika índia (xukuru kariri) 560. šetkibungu prato de barro 561. šikregugu ladrão 562. šikregu, šikrugu roubar 563. šošogu beiju 564. songugo testículo 565. soian uruçu 566. sonse jurema 567. šukuruiz xukuru, nome da tribu 568. šuraki estar com fome 569. šurada jejuar, estar em jejum 570. suska arapuá 571. taí ele 572. taípe ela 573. taiepu velho 574. taiophu pai 575. taispu caboclo 576. taiyen,taiyen,iyen bebo, bêbado 577. tayêgego doente,adoecer 578. tiloé,tilôa faca 579. takaenye verde 580. taka querer,desejar,preto 581. takazu krega preta 582. takazu pu preto 583. take aragu roupa rasgada 584. takho roupa 585. takho de supaphu machado 586. tamain N.S Senhora 587. tamaina N.S. da montanha 588. Tamaipe senhora 589. tamarú senhor 590. tana gente, pessoa 591. tanañago pessoa ruim 591. tanaré pobre 592. tanacuré idiota 593. tapuka galinha 594. tapuke pato 595. takemarau,takemaru trovão 596. take aragu roupa rasgado 597. taraira moréia 598. tapipo menina 599. tataremen boa noite, como vai? 600. teadusaka peru 601. tentengu, tãtãngu gato do mato, onça 602. teregomen,terego chegou 603. teskia mais(k) 604. tew água 604. tibiró gay,homo sexual. 605. tiópipo moça 606. tiragu enterrar 607. tigá assada, assado 608. tinengo saia 609. tiana vir 700. tionante tataravô 701. tigore chegar 702. timba concha(k) 703. tsapa alpercata 704. tsane quem? 705. tinugo descer,abaixar 706. tinkin sal 707. tipó raposa 708. toe brasa 709. tóé ser modesto, modesta 710. tora uma cortesia de batida do pé (quando começa o toré) 711. toram esperança 712. toré ritual 713. totiko tacaca, gambá 714. toyope velho 715. tcheakoka abraçar 716. tshioko mãe 717. tsuco macaco 718. tsurunir = detestar,odiar 719. tsuin sagüi 720. tug grande 721. tukri umbigo 722. tuman-igi arma de fogo 723. tupan deus, nosso senhor (do tupi tupã) 724. tuyá barriga 725. uatukaka mestruaça 725. ubá fruta 726. ubaia fruta madura 727. ubamana, ubauna jardim 728. ubó fruta pouca madura 729. ubú planta do mato 730. ueré sem mentira 731. uêgwê = menntira, mentir 732. ukewó = maçã 733. ukri = mangaba 734. ukenbi = enganar-se 735. una = dádiva,graça,dom, presente 736. unajogh = oferecer 737. unawokó = jovem 738. unbrera, muntegu = viajar 739. unj = cabelo 740. uegwe mentira 741. uriaxa = verde 742. ukengo = enganar 743. ukengugo = enganador 744. ukupe = dentro de, dentro. 745. ukupedo = o que é de dentro 746. ukumen = fora de 747. ukumende = o que é de fora 748. Ukrinmakrikri = comida feita para os espiritus, oferenda 749. Uruba = árvore que o pajé tirava a casca p fazer remedio 750. urika zogu, urikajó = aguardente 751. urinka = fazer beber 752. uriwo = ser jogado 753. urinir = (sentir)desgosto, não gostar 754. urukinin = largaticha 755. ururau = jacaré 756. urutu = serpente 757. utxaká = timbú, gambar 758. uyuingo copular= tranzar 759. xacon casar 760. xacoba mandioca 761. xacre riacho 762. xacruyago rio grande, largo 763. xacreaplé rio claro 764. xacreamum rio escuro, sujo poluido 765. xafango gado 766. xakrêgo urinar 767. xacrego,xigrego roubar,furtar 768. xapelé expulsar 769. xata fava 770. xekh,xako casa 771. xexer,xenen flor 772. xenunpre índio 773. xiá frio 774. xicuma copular, tranzar 775. xuá vento forte 776. xuar vento 777. xicruma reto, em frente 778. xikugo defecar 779. xigégo ladrão 780. xigudo cão,cachorro 781. ximbó cacete 782. ximineu fumaça 783. xikiá filha moça,virgem 784. xirudina donzela 785. xokó índia 786. xukêgo tomar, roubar 787. xurucreba facão 788. xurumen,xurumer massa 789. xurumini =chuva 790. va = isso,essa,esse 791. vaiako =isso aqui, esse aqui 792. vanobe = nisso, nessa, neste 793. vapoo = tudo isso 794. vado = o que e isso...? 795. vadote = o que é aquilo? 796. vataí,vataípe =aquele,aquela 797. vateá,vataípeá = aqueles,aquelas 798. viki fugir 799. vikigo fugitivo,fujão 800. vita = vice 801. vuge = feitiço 802. wanmanx = onça 803. waga = mau, feio 804. wakó = velha 805. widé = ganhar 806. wiaboé = ser atingido 807. woyá = enroscar, enrolar 808. yoago = largo 809. yoagugo = alargar 810. yen = bêbado 811. ye-niewo = pessoa sobre fluência de espírito 812. yuka,yuáka = amar,amor 813. yukabiá = não gostar de
814. zangzag = onça
815. zmaragugo = carnívoro
816. zari= titica grande
817. zatiri(xatiri) = perna fina
818. zegu = urinar
819. zetona = gato
820. zeze = joelho
821. zete = novidade, coisa recente(k) 822. zi = eu
823. zi reine´ró = coisa que eu gosto 824. zimen = sentir




Fonte:
Lapenda, revista dhoxa.
https://www.abecbrasil.org.br/novo/2020/03/a-lingua-na-identidade-etnica-do-grupo-indigena-dos-xukuru-de-ororuba/ 
https://www.geocities.ws/indiosbr_nicolai/xucuru1.html 
https://stringfixer.com/fr/Xukuruan_languages
https://gaz.wiki/wiki/de/Xukuruan_languages
https://wikipang.com/wiki/Cimbres 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Eu não tenho amigos

 

Eu não tenho amigos 



Quando eu era criança, pensava  que a minha vida seria tão fácil. Eu tinha amigos. Na vizinhança , embora vivia o tempo todo se mudando de rua em rua de  bairro  em bairro pois morava de aluguel minha mãe eu  não tínhamos casa própria  cada rua que morava  eu fazia novos amigos ,novas amizades  ,com meninos,meninas  da minha idade e alguns deles (as )pouco mais velhos ou mais novos. Eles foram meus amigos. O meu  maior erro foi achar que essas amizades viveria para o resto de nossas vidas. Ledo engano
Eu nunca me esqueço dos sonhos e promessas que vivíamos fazendo: “Seremos amigos para sempre!”. Que "seríamos como Stones eternamente'

O tempo passa  o vento leva as pessoas para outros lugares ,patamares diferentes.
E essas pessoas levaram consigo a promessas que um dia fizeram.Mas pouco isso importa.

Ja no trabalho isso é impossível ser amigo de alguém.
Evidentemente ou seja embora existam pessoas nas quais você pode "confiar', elas serão apenas colegas bem diferente de amigos.
E a maioria deles, vai querer te fuder o tempo todo   quando tiver uma chance.

Que isso fique  muito claro, eis a minha declaração em alguns idiomas

portugues: eu não tenho amigos
Inglês: I don´t have friends.
Espanhol: Yo no tengo amigos.
Italiano: Io non ho amici.
Francês: Je n'ai pas d'amis.
japonês:友達がいない
Tomodachi ga inai

alemão: Ich habe keine Freunde

Existe vários  motivos que me afaste das pessoas ou que faça eu me afastar delas.
Não que me apegue demais ao passado e às pessoas que fizeram parte da minha vida.

Sigo adiante em novos caminhos.
Não  acredito nessa cascata no valor moral das pessoas, embora porque mas que ainda tente lutar contra essa minha convicção.

Pare pra pensar  que ninguem tem tantos amigos de verdade!
Tipo assim aquele povo com montes de amigos, bebendo, indo pra baladas, onde é que eles vão estar quando você e eu precisar?
Quando você e eu estiver doente,desempregado na bancarouta,sem parente sem aderente fudido precisando de ajuda quem vai ajudar?
Amigos de verdade a gente conta só nos dedos de uma mão, e   olhe lá e amigos de verdade são aqueles que a gente não precisa ver sempre, e quando quer ver, ele vai querer te ver também e não precisa viver o tempo todo colado
Bom, acho que é isso!

Não estou aqui justificando dizendo isso para que  todos tenham pena de mim. Não quero  sentimento de piedade de ninguém.
Estou aqui para assumir em bom e claro português: Eu não tenho amigos.

E ponto final foda_se.....


Francisco Araújo 

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Rebelião de Shimabara, contra a perseguição aos cristãos

 

Rebelião de Shimabara, contra a perseguição aos cristãos


Rebelião de Shimabara (島原の乱 Shimabara no ran) foi uma revolta de camponeses japoneses, na sua maioria cristãos, entre 1637 e 1638, durante o Período Edo. Foi uma das poucas revoltas ocorridas num período relativamente pacífico, o xogunato Tokugawa.


Os impostos foram drasticamente aumentados, quando o clã de Matsukura estava para iniciar a construção de um novo castelo em Shimabara. Essa atitude provocou a ira dos camponeses locais e dos samurais. Além disso, a perseguição religiosa contra os cristãos locais aumentou o descontentamento, que se transformou em revolta aberta em 1637. O xogunato Tokugawa enviou uma força de mais de 125 000 homens para reprimir os cerca de 27 mil camponeses, e depois de um cerco prolongado contra os rebeldes no Castelo Hara, o xogunato obteve a vitória.

O líder da rebelião, Amakusa Shiro, foi decapitado e a perseguição ao cristianismo tornou-se rigorosamente severa. A política de isolamento do Japão foi reforçada, e a perseguição formal aos
cristãos continuou até a década de 1850.



Estátua de Amakusa Shiro no castelo Hara


Em meados da década de 1630, camponeses da península de Shimabara e das ilhas Amakusa, insatisfeitos com impostos excessivos e o sofrimento dos efeitos da fome, se revoltaram contra os seus senhores. Isso foi mais precisamente no território governado por Matsukura Katsuie e no Domínio Karatsu, governado por Teresawa Katakata. Embora a rebelião seja considerada por alguns historiadores como uma revolta religiosa, esta não aborda as questões do descontentamento a partir da fome e impostos. Dentre as pessoas afetadas também incluem-se os pescadores, artesãos e comerciantes. A medida que a rebelião propagava, samurais sem mestre (ronins) que antes haviam servido famílias tais como Amakusa e Shiki que outrora viveram na área, também uniram-se ao movimento.  Como tal, a imagem de uma revolta inteiramente "camponesa" também não é inteiramente correta.

Shimabara foi domínio da família Arima, que era cristã; como consequência, muitos habitantes locais foram também cristãos. Os Arimas foram substituídos em 1614 pelos Matsukuras. O novo senhor, Matsukura Shigemasa, tinha aspirações de progressão na hierarquia do xogunado, e assim ele esteve envolvido em vários projetos de construção, incluindo a construção e ampliação de Castelo Edo, bem como o planejamento da invasão de Luzon. Também construiu um novo castelo em Shimabara. Como resultado, ele colocou uma imensa e desproporcionada carga fiscal sobre o povo de seu novo domínio, ainda mais indignado por perseguições ao cristianismo.
Os habitantes das ilhas Amakusa, que tinham sido parte de Konishi Yukinaga, sofreram o mesmo tipo de repressão nas mãos da família.


A rebelião
Os descontentes e samurais, bem como os camponeses, começaram a se reunir em segredo para formar uma rebelião; esta eclodiu no outono de 1637, quando o daikan local (agente fiscal) Hayashi Hyōzaemon foi assassinado. Ao mesmo tempo, outros se rebelaram nas ilhas Amakusa. Os rebeldes aumentaram rapidamente suas forças, forçando todos na área a se juntarem à insurreição. Um carismático garoto de 14 anos, Amakusa Shirō, logo foi escolhido como o líder da rebelião.

Os rebeldes sitiaram o clã Terasawa e castelos Hondo e Tomioka, mas pouco antes dos castelos que estavam prestes a cair, os exércitos dos domínios vizinhos em Kyushu chegaram, e forçaram os rebeldes a recuar. Os rebeldes, em seguida, atravessaram o Mar Ariake e brevemente sitiaram o Castelo de Shimabara de Matsukura Katsuie, mas foram novamente repelidos. Neste ponto, eles se reuniram no local do Castelo Hara, que tinha sido o castelo do clã Arima antes de sua mudança para o domínio de Nobeoka. Eles construíram paliçadas utilizando a madeira dos barcos com que tinham atravessado a água, além de estarem fortemente armados pelas armas, munições e provisões que haviam saqueado a partir de armazéns do clã de Matsukura.

Depois da tomada do Castelo Hara, o cristianismo ganhou muito espaço entre os rebeldes. Livros descrevem que, em momentos de desespero, os camponeses se apoiavam na fé, levantando cruzes e bandeiras brancas. Para adquirir coragem, rezavam e gritavam os nomes de Jesus Cristo e da Virgem Maria. Em uma escavação arqueológica na fortaleza, iniciada em 1992 com o patrocínio da prefeitura de Nagasaki, foram encontradas imagens de bronze de Jesus, Maria e São Francisco Xavier, além de cruzes e rosários.




Estátuas budistas de Jizō, o bosatsu de misericórdia, decapitados pelos rebeldes cristãos.

Cerco do Castelo Hara
Quando soube da ocupação do castelo abandonado, Terazawa Katataka, senhor feudal de Amakusa, enviou 3 mil guerreiros para a região. Apenas 200 voltaram vivos. Quando o xogum Iemitsu Tokugawa ficou sabendo do massacre dos homens de Katakata ficou impressionado com a resistência dos rebeldes e enviou uma tropa de 26 mil soldados comandados por Shigemasa Itakura. No primeiro ataque, 600 homens morreram e, na segunda tentativa, 5 mil homens de Itakura foram mortos, enquanto menos de 100 rebeldes ficaram feridos.

Em janeiro de 1638, as tropas do xogum tentaram invadir o castelo e foram duramente castigadas, a ponto do comandante Itakura ter sido morto em combate. Ele foi substituído por, Matsudaira Nobutsuma. Fontes indicam a participação de Miyamoto Musashi, em um papel de aconselhamento de Hosokawa Tadatoshi. Mas, historicamente, não há provas da participação dele na batalha.
A chegada de Nobutsuma a Hara foi importante para a mudança de estratégia. Ele fez um cerco em volta do castelo, para evitar que os rebeldes saíssem do forte em busca de comida, com o objetivo de fazer os rebeldes se rendessem. Passados alguns dias, ele jogou uma carta dentro do castelo que com a qual prometia perdoar aqueles que se entregassem, mas não adiantou.



Mapa do cerco do Castelo Hara

As forças do xogunato pediram ajuda aos neerlandeses, que primeiro deram pólvora e canhões.Nicolaes Couckebacker, opperhoofd da feitoria pertercente aos Países Baixos em Hirado, providenciou a pólvora e canhões, e quando as forças do xogunato solicitaram que ele enviasse um navio, ele pessoalmente acompanhou o navio de Ryp para uma posição próxima ao Castelo Hara. Os canhões enviados anteriormente foram montados em uma bateria em um barco de guerra, começando o ataque, tanto dos canhões da costa e também dos 20 canhões do de Ryp. Estas armas dispararam cerca de 426 projéteis em 15 dias, sem grande resultado, e dois vigias holandeses foram baleados pelos rebeldes.
E, em vez de forçar a rendição dos camponeses, a artilharia pesada parece ter dado matéria-prima para os rebeldes: arqueólogos encontraram 16 cruzes de metal no castelo, provavelmente feitas a partir da fundição dos projéteis.
O navio foi retirado a pedido dos japoneses, em seguida receberam as mensagens de desprezo enviadas pelos rebeldes para as tropas sitiantes:
"Não existem soldados mais corajosos no reino para combater conosco, e não estão envergonhados de terem chamado ajuda de estrangeiros contra o nosso pequeno contingente?"

Queda dos rebeldes

Em uma tentativa de tomar o castelo, Itakura Shigemasa foi morto. Logo chegaram mais tropas do xogunato sob o comando de Matsudaira Nobutsuna para substituir Itakura. Em abril de 1638, havia mais de 27 mil rebeldes enfrentando cerca de 125 000 soldados do xogunato. Um mês depois, um grupo de camponeses tentou um ataque noturno às tropas do governo, sendo que, 380 rebeldes morreram e alguns sobreviventes capturados revelaram que não havia mais comida ou pólvora dentro do castelo.
Em 12 de abril de 1638, as tropas sob o comando do clã Kuroda do Domínio de Hizen invadiram a fortaleza e capturaram as defesas externas. Os cristãos lutaram desesperadamente. Além de espadas e lanças, utilizaram pedras, pedaços de madeira, utensílios de cozinha ou qualquer coisa que pudesse ser empunhada como arma ou atirada do canhão que eles possuíam.

Forças presentes em Shimabara
Estátua do vice-comandante do exército do xogunato, Toda Ujikane.
A Rebelião de Shimabara foi o maior esforço militar desde o Cerco de Osaka onde o xogunato tinha de dirigir um exército aliado formado por tropas de vários domínios. O primeiro comandante geral, Itakura Shigemasa, tinha 800 homens sob seu comando direto; seu substituto, Matsudaira Nobutsuna, tinha 1 500. O vice-comandante Toda Ujikane tinha 2 500 de suas próprias tropas. 2 500 samurais do Domínio de Shimabara também estavam presentes. Boa parte do exército do xogunato foi formado a partir de domínios vizinhos de Shimabara. A maior parcela, totalizando mais de 35 000 homens, veio do Domínio de Saga, e estava sob comando de Nabeshima Katsushige. Em segundo lugar em números estava a força dos domínios de Kumamoto e Fukuoka; 23 500 homens sob o comando de Hosokawa Tadatoshi e Kuroda Tadayuki respectivamente. Do Domínio de Kurume foram 8 300 homens subordinados a Arima Toyouji; do Domínio de Yamanaga 5 500 homens sob as ordens de Tachibana Muneshige; do Domínio de Karatsu, 7 570 homens estavam aos comandos de Terasawa Katataka; de Nobeoka, 3 300 estavam sob as ordens de Arima Naozumi; do Domínio de Kokura, 6 000 estavam sob as ordens de Ogasawara Tadazane e seu braço direito, Takada Matabei; provenientes do Domínio de Nakatsu, 2 500 homens estavam sob as ordens de Ogasawara Nagatsugu; de Bungo-Takada, 1 500 eram comandados por Matsudaira Shigenao, do Domínio de Kagoshima, 1 000 homens estavam as ordens de Yamada Arinaga. As únicas forças que não eram de Kyushu, além dos comandantes militares pessoais, foram 5 600 homens do domínio de Fukuyama, sob o comando do Mizuno Katsunari,[20] Katsutoshi, e Katsusada. Houve também um pequeno número de tropas de vários outros locais na quantidade de 800 homens. No total, o exército do xogunato foi composto por mais de 125 800 homens. Por outro lado, a quantidade de pessoas que compuseram as forças rebeldes não é precisamente conhecida. Estima-se que eram mais de 14 000 combatentes e que o número de não-combatentes abrigados no castelo durante o cerco eram mais de 13 000. Uma fonte estima que o tamanho total da força rebelde era algo entre 27 000 e 37 000, uma fração, se comparada ao tamanho das forças enviada pelo xogunato.

Epílogo
Depois que o castelo caiu, as forças do xogunato decapitaram cerca de 37 000 rebeldes e simpatizantes. A cabeça decepada de Amakusa Shiro foi levado para Nagasaki para exibição pública, e todo o complexo do Castelo Hara foi totalmente queimado e enterrado junto com os corpos de todos os mortos.
Cristãos e estrangeiros passaram a ser os maiores inimigos do governo Tokugawa. Por exemplo, em Nagasaki, padres eram mortos em público e queimados vivos. Aproximadamente 80% dos cristãos da cidade foram executados e os outros foram presos ou escravizados. Prêmios em dinheiro eram oferecidos aos que denunciassem os religiosos clandestinos.

O xogunato suspeitou que católicos ocidentais tinham sido envolvidos na divulgação da rebelião e comerciantes portugueses foram expulsos do país. A política de isolamento nacional tornou-se mais rigorosa em 1639. Uma proibição já existente da religião cristã foi, então, aplicada rigorosamente, e o cristianismo no Japão sobreviveu apenas por meio dos Kakure Kirishitan.
Outra das ações que depois foi tomada pelo xogunato foi o perdão das contribuições de construção aos domínios que haviam apoiado militarmente. Matsukura Katsuie cometeu suicídio, e seu domínio foi dado a outro senhor, Koriki Tadafusa.[16] O clã de Terazawa sobreviveu, mas desapareceu quase 10 anos depois, devido à falta de um Katataka como sucessor.
Na península de Shimabara, a maioria das cidades experimentaram uma grave perda de população, como resultado da rebelião. A fim de manter os campos de arroz e outras culturas, migrantes foram trazidos de outras áreas em todo o Japão para reassentar a terra. Todos os habitantes foram registrados em templos locais, cujos sacerdotes eram obrigados a atestar a filiação religiosa de seus membros.
Com a exceção de alguns levantes locais, a Rebelião de Shimabara foi o último confronto armado em larga escala no Japão até 1860.
Até hoje, em datas festivas, as perseguições aos cristãos são lembradas. Na semana do Festival Okunchi, celebrado entre os dias 7 e 9 de outubro em Nagasaki, os moradores da cidade abrem a porta de suas casas e exibem seus pertences no jardim. Trata-se de um antigo costume do século 17, quando eles eram obrigados a mostrar tudo o que possuíam para provar que não eram católicos.



O arco japonês

 

                O arco japonês



A presença dos arcos no mundo é muito antiga. Acredita-se que desde fins da Idade da Pedra, o arco já era usado no Oriente Próximo e Médio. No Japão não foi diferente e há vestígios, de que os primeiros arcos japoneses vêm dessa época. Um exemplo é um sino de bronze encontrado em que há desenhos inscritos, datado do fim da Idade da Pedra. Por isso também é comum se dizer que o kyūdō, o caminho do arco, é a mais antiga das artes marciais tradicionais do Japão, já que arcos têm sido usados desde a Pré-História.

A influência chinesa

Do século IV a IX, a proximidade entre China e Japão teve grande influência tanto nas técnicas de produção do arco em si, como na utilização e filosofia adjacente ao uso do mesmo. Em especial, as crenças confuncionistas de que, pela dedicação ao arco, uma pessoa poderia encontrar seu verdadeiro eu tiveram grande peso na cultura do arco-e-flecha japonesa.

A literatura sobre arco-e-flecha era vasta na China desde há muito. Livros dos fins da Dinastia Han (II d.C), como O livro dos ritos e O livro de Zhou, exerceram grande influência no Japão, levando consigo o pensamento de Confúncio. Esse forte intercâmbio cultural com a China ocorreu principalmente nos séculos IV e V d.C., pela época do lendário Imperador Ōjin, e atingiu os valores, a ideologia e a etiqueta da Corte Japonesa até com relação ao modo de se praticar arco-e-flecha – nascendo aí o lado cerimonial da prática, cultivado ao longo da era feudal nipônica. Então, enquanto os nobres da Corte se concentravam na parte cerimonial do arco-e-flecha, os guerreiros se focaram no kyūjutsu, as técnicas marciais de se usar o arco como arma. Além disso, segundo consta no Kojiki (o mais antigo livro japonês), ao uso do arco longo era associado grande prestígio tanto ideológica quanto culturalmente. Um ditado chinês dizia: “De posse da flecha, o sábio resolve suas diferenças”; tal pensamento também se tornou próprio da cultura militar japonesa.

O período feudal japonês (1187-1867)


Quando Yoritomo de Minamoto deu início ao Xogunato em Kamakura (inaugurando a Era Kamakura e, com ela, o período feudal), estabeleceu também o código de comportamento e pensamento do guerreiro, pregando que através da técnica de arco-e-flecha a cavalo (kyūba) poderia se dar o desenvolvimento do espírito. Para o disciplinamento da mente e do corpo, assim como para a prática das técnicas de combate, eram realizadas cerimônias de kyūba, como a inu-ōmono, a kasagake etc.

A grande cerimônia de yabu-same (um dos estilos de kyūba), na qual animais capturados são libertados, por exemplo, acontece ainda hoje no templo de Hachiman, em Tsurugaoka. Naquela época também era popular a caça esportiva, pelo que, novamente, na Era Heian, a arte do arco tornou-se a arte da guerra. O inu-ōmono, o kusajishi, entre outros cerimoniais, ainda podem ser vistos hoje, pois se tornaram esportes, com regras bem definidas.

O desenvolvimento das técnicas

A partir do Período das Duas Cortes (Nambokuchō, 1336-92) e atravessando da Era Muromati (1392-1573), houve uma inovação de estilo no que concerne às técnicas de arco-e-flecha.
Na época do Imperador Godaigo, o método de tiro transmitido pela sociedade feudal foi criado por Nagakiyo e Sadamune Ogasawara, que estabeleceram as regras de etiqueta do arqueiro a cavalo. Depois, a família Ogasawara tornou-se instrutora do xogum Tokugawa e sua família. Em termos de registro das técnicas de tiro da época, o mais detalhado é provavelmente um grande compêndio escrito por Ryōshun Imagawa.

Quanto a Danjōmasatsugu Heki, pai do estilo Heki, também ele era uma pessoa desse tempo. A técnica de tiro de Heki foi posta em prática e teve sua difusão nessa época. Suas técnicas foram, em seguida, passadas a Shigekata Kōzuke-no-Suke Yoshida e, então, acabaram por se dividir em dois novos estilos: o estilo Izumo e o estilo Sekka – os quais voltaram a se subdividir, este dando origem ao estilo Dōsetsu, aquele ao estilo Insai e outros mais. Muitos eram os grandes talentos dedicando-se à arte do arco naqueles anos, pelo que as técnicas de arco-e-flecha evoluíram bastante e rapidamente. Além disso, uma outra família (afiliada aos Yoshida) também se dedicou a essa arte: o monge Tikurin desenvolveu um estilo de mesmo nome, depois consagrado por seus filhos.

Desse modo, nos cento e cinqüenta anos entre o fim da Era Muromati e o princípio do período Tokugawa (séculos XV-XVII) muitos estilos surgiram e se desenvolveram. Após isso, houve apenas mais dois: no período Genroku (1688-1704), o surgimento do estilo Yamato desenvolvido por Kōzan Morigawa, a quem também é creditado o uso, pela primeira vez, do termo “kyūdō”, i.e., caminho do arco. Esse termo está ligado à ideologia Zen-Budista (antes se usava apenas kyūjutsu, um termo mais ligado à técnica e, portanto, de conotação mais militar). O outro evento se dá na Era Meiji (1868-1912), quando Toshizane Honda cria o estilo Honda.

O arco como disciplina do corpo e da mente


Já em fins da época de Ōda Nobunaga e Toyotomi Hideyoshi (séc. XVI), começaram a ser importadas armas de fogo e o arco deixou de ser usado como instrumento de guerra. Em verdade, esses dois generais foram os primeiros a utilizá-las com sucesso em uma batalha e, após isso, era questão de tempo até que o fato se consumasse: o arco foi preterido e quase esquecido por completo com a chegada das armas de fogo. Isso levou as técnicas de arco-e-flecha a se refinarem cada vez mais com o objetivo de disciplinar o corpo e a mente.
Dentro dessa nova perspectiva, um caso a se ressaltar é o dos torneios de tiro à longa distância (tōshiya), em que o alvo fica a cerca de 120m e 4,9m de altura do arqueiro. Existindo desde o séc. XII, especialmente na forma de “torneios de resistência”, ganhou popularidade por volta do séc. XVI, quando no período do xogunato Tokugawa grandes mudanças ocorreram na maneira de se encarar o arco-e-flecha, pelas razões supracitadas.

O torneio no Sanjūsangendō, em Quioto, é o maior desse tipo e ocorre desde 1165. Esses torneios duravam até um dia inteiro e cada arqueiro podia atirar centenas de flechas. Havia diferentes categorias, como a competição de doze horas, a de vinte e quatro horas, a de cem flechas e outra de mil flechas. Além disso, mulheres também podiam participar (a partir da Era Tokugawa). Em 1606, o recorde era de 51 flechas acertadas, mas, entre 1661-88, esse número chegou a recordes inimagináveis com os casos de Shigenori Kanzaemon Hoshino e de Daihachirō Wasa.

Em 1669, Shigenori Kanzaemon Hoshino alcançou a incrível marca de oito mil acertos das 10.542 flechas que atirou. Cerca de duas décadas depois, em 1686, Daihachirō Wasa conseguiu um feito ainda mais impressionante, estabelecendo o recorde de 13.053 tiros com 8.133 acertos (uma média de 62% de acertos e um tiro a cada 6,6 segundos). O torneio de Sanjūsangendō ainda acontece, mas agora suas categorias são diferentes e as provas duram menos tempo.

No tiro à longa distância é preciso atirar rapidamente, logo os métodos e instrumentos usados são diferentes. Por exemplo, atira-se sentado e o arco não deve rodar na mão após o tiro (hoje, existe uma luva mais grossa no dedão usada no tōshiya que consegue impedir o giro sem exigir tanto do arqueiro, no entanto essa luva é uma invenção moderna).

O fim do xogunato e a Restauração Meiji

Com o prosseguimento da paz na Era Edo, o aperfeiçoamento do arco-e-flecha continuava, fosse enquanto técnica militar, fosse enquanto “caminho zen”, estabelecendo-se como disciplinamento para corpo e mente; mas, como o treinamento militar do fim do feudalismo (período quando dominavam os xoguns) da Era Edo não tinha por objetivos reais a guerra, um dia tudo parou. Numa época de ocidentalização e de armas de fogo não havia mais espaço para a tradição arqueira aparentemente.

No entanto, os treinos de kyūba continuaram a ser realizados, como parte do treinamento dos graus inferiores dos soldados. Até que no ano 28 da era segunte (a Era Meiji), aconteceu, em Quioto, o I Encontro Nacional de Artes Marciais do Japão, no qual, naturalmente, também aconteceram competições de kyūdō, contribuindo para a revitalização dessa arte.

Outro fator importante foi o feito de Honda Toshizane, um instrutor de kyūdō na Universidade Imperial de Tóquio, que combinou elementos do estilo de guerra e do estilo cerimonial de arco-e-flecha num novo estilo híbrido, que se tornou conhecido como Honda-ryū (Estilo Honda). Esse estilo se tornou popular entre o público geral e, para alguns, é o verdadeiro salvador do arco-e-flecha japonês do esquecimento em que vinha caindo.

Nas Eras Taishō (1912-26) e Shōwa (1926-89), o kyūdō passou a ser incluído no currículo escolar (a partir do segundo segmento) como disciplina obrigatória ou opcional (nos clubes esportivos); porém o início da II Guerra Mundial, em 1941, fez com que o Ministério japonês da Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia (Monbushō) declarasse as artes marciais como exercício de Educação Física, novamente ligando essas artes diretamente ao combate. Desse modo, com o fim da guerra, as aulas de kyūdō foram proibidas (novembro de 1945).

Seis anos depois, o Monbushō expediu uma nota suspendendo a proibição e permitindo a prática de kyūdō, mas apenas em 1967 a Secretaria de Educação Física aprovou uma nota permitindo às direções das escolas do ensino médio adotar aulas de kyūdō, o que fez com que o kyūdō ganhasse um novo significado na educação: passou a ser visto como uma disciplina para educação corporal.

Com a ocupação americana no Pós-II Guerra, todas as artes marciais foram proibidas, contribuindo ainda mais para o declínio do kyūjutsu tradicional. Então, quando a proibição contra artes marciais acabou, o kyūdō (e não o kyūjutsu) havia se tornado uma prática comum a todo o Japão. Em 1953, a Federação Nacional de Kyūdō (ZNKR ou ANKF) foi fundada, publicando um manual com seus padrões e supervisionando o desenvolvimento de kyūdō tanto no Japão quanto em outros países.

Hoje, já existe uma Federação Européia de Kyūdō, que promove seminários anuais e provas. A partir de 1993, o mesmo passou a acontecer nos EUA.

Daí por diante, com os novos métodos de pesquisa das ciências modernas, as novas bases da ideologia por trás das artes marciais passaram a ser atreladas à educação, sendo a manutenção de sua difusão de grande importância.

Os Samurais

 

                Os Samurais





Os samurais eram os lendários guerreiros que no antigo Japão levaram vidas de nobres e violentas regidas pelos ditames da honra, da integridade pessoal e da lealdade. Esses ideais se concretizavam nos serviços que os samurais prestavam a seus senhores feudais por intermédio do governo e a seus comandantes nos campos de batalha. Eram um dever cuja expressão mais sublime se encontrava na morte.

Entretanto, por trás desses princípios encontra-se um desejo que sobressai aos ditames impostos pelos serviços a outrem. Trata-se da necessidade de ser reconhecido — porquanto, se lermos nas entrelinhas de muitos relatos sobre a bravura dos samurais, o resultado sugerirá que a lealdade ao grupo ou ao lider tinha certos limite. Nesses casos os limites eram determinados pelo tremendo impulso de ser visto não apenas como um samurai, mas como  "o samurai", em cujas ações e façanhas individuais todo o universo guerreiro pudesse resumir-se. 

ORAÇÃO PODEROSA PARA RECEBER UM MILAGRE

  ORAÇÃO PODEROSA PARA RECEBER UM MILAGRE Ó DEUS MILAGROSO, QUANDO LEMBRO DOS TEUS FEITOS, NASCE UMA FÉ EM MEU INTERIOR, POIS SEI QUE ÉS UM ...